
Ceratocone é uma distrofia corneal, não inflamatória, na qual a baixa rigidez do colágeno corneal permite que a córnea sofra abaulamento e afinamento progressivos, provocando astigmatismo irregular e afilamento do ápice. Essa ectasia pode ocorrer na parte central, paracentral ou periférica da córnea. O ceratocone pode estacionar após alguns anos ou progredir até a formação de cicatrizes causadoras de importante baixa visual.
A doença costuma iniciar num olho para depois afetar o outro; é quase sempre bilateral. O diagnóstico é freqüentemente feito na adolescência ou em torno dos 20 anos de idade. Não parece haver diferença significativa na incidência do ceratocone entre os olhos direito e esquerdo, entre homens e mulheres; nem na distribuição conforme padrão geográfico, cultural ou social. A freqüência de ceratocone na população em geral está em torno de 1 para cada 2000 pessoas (0,05%). Entretanto, dentre os candidatos à cirurgia refrativa, alguns estudos mostraram que este número pode atingir até 7%. Esta percentagem alta deve-se, provavelmente, à auto-seleção desses pacientes que muitas vezes estão insatisfeitos com sua visão e procuram por cirurgia para solucionar seu problema.
Acredita-se que a origem do ceratocone seja genética. O fator mais relacionado com a progressão da doença é o traumatismo mecânico provocado pelo ato de coçar os olhos.